4 de abr. de 2013

Espaços Públicos vs Empreendimentos Privados 2

Na postagem anterior, acabei me alongando na "introdução" e achei melhor dividir em dois textos. Como disse, a culpa da Ponta do Coral estar abandonada até hoje, de termos apenas DOIS parques decentes na cidade (Córrego Grande e Lagoa do Peri) e de não termos espaços públicos de qualidade é da prefeitura e dos governantes que não fazem acontecer, que não têm vontade política de resolver essa questão.

O mesmo vale para outras cidades. Veja o que descobri "por acaso" há umas semanas: uma linda pedreira com um belo lago logo ali, no Bairro Bela Vista, em São José, bem atrás do Bosque das Mansões. Um lugar maravilhoso, pertinho, porém totalmente abandonado, oferecendo riscos à população, servindo de ponto de consumo de drogas e tudo mais de ruim. Mas nesse lugar, com um enorme potencial, já foi pensado e projetado um belíssimo parque, sendo esse projeto entregue em mãos ao então prefeito de São José, Djalma Berger, no dia 21 de agosto de 2010. Mas porque até hoje nada foi feito? Arrisco uma resposta: falta de vontade!


O mesmo serve para Florianópolis. O aterro da Baía Sul, o Parque do Rio Vermelho e a Ponta do Coral estão de certa forma abandonados (a Ponta do Coral literalmente abandonada), sem nada de útil em cima por falta de vontade dos governantes. Na Baía Sul era para termos um jardim tão bonito quanto o do Aterro do Flamengo no Rio de Janeiro. Algumas palmeiras estão lá perdidas entre o camelódromo, o sacolão, o centro de eventos e a estação de tratamento de esgotos. Os outros espaços do projeto estão todos invadidos por edificações públicas (se fosse um hotel para "grã-fino" não estaria construído com certeza... mas como são prédios públicos ninguém fala nada). A Ponta do Coral abandonada, sendo que há um projeto público para o local, o tal Parque das Três Pontas, que nunca saiu do papel. Adivinhem por quê? Chuto uma resposta novamente: falta de vontade política!

Até quando vamos tolerar esses abusos cometidos por pessoas "públicas" (prefeitos, vereadores, etc) elegidas por nós para defenderem a cidade?? Contra os empresários todos sabem brigar e "defender a cidade", atacando qualquer projeto de empreendimento de maior porte. Mas contra os prefeitos e vereadores (sem falar em governador, deputados e todos "nobres" colegas) que continuam a tripudiar em cima dos nossos espaços públicos, da nossa cidade, que são os verdadeiros responsáveis, ainda não conseguimos fazer nada e apenas ficamos assistindo a eles destruírem nossa cidade de braços cruzados. Até quando?


Leia o post anterior de "introdução" clicando aqui

Gostou do Parque Pedreira do Bela Vista? Leia mais nos links abaixo:
http://www.parqueecologicopedreiradabelavista.blogspot.com.br/

3 de abr. de 2013

Espaços Públicos vs Empreendimentos Privados

Agora, depois das últimas medidas da Prefeitura de Florianópolis acerca do cancelamento de alvarás de construção, o tema de grandes empreendimentos privados voltou a tona, falando mais especificamente do projeto de um grande hotel na Beira Mar Norte. Já escrevi aqui sobre esse tema há algum tempo, e de lá pra cá cheguei a conclusão que na minha opinião realmente a obra do hotel não deve ser construída, não na ponta do coral. Mas não quero entrar de novo nessa discussão se a obra deve ou não sair, se você é contra ou a favor. Quero levantar outras questões que acredito serem muito mais produtivas e interessantes para o bem da cidade.

Ok! A prefeitura chegou a conclusão que o hotel não deve ser executado e ponto final nessa questão. Mas e agora? O que acontecerá com o local? O que será feito ali? Porque a área está abandonada até hoje? Porque não foi feito nada de útil na área até agora? Porque os projetos e ideias para uso público da área não saíram do papel? Essas questões devem ser estendidas para muitas outras áreas da cidade como o Parque da Luz, o Parque do Rio Vermelho, o aterro da baía sul onde deveria ter um belíssimo parque com vários jardins segundo o projeto do Burle Max entre outras áreas. Penso que essas questões são fundamentais para o futuro da nossa cidade.

A resposta me parece ser apenas uma: falta de vontade política, de atitude dos governantes e de pensarem no coletivo e no futuro da cidade. Parece simples mas não é. Então a culpa da cidade estar do jeito que está não é dos empresários e investidores. A culpa é dos prefeitos e vereadores, desde o Eliseu Guilherme da Silva até o Dário Berger, sem citar os vereadores, que nunca impuseram a vontade do povo, do coletivo a frente dos seus governos (acabei generalizando e colocando todos os prefeitos anteriores no mesmo balaio, o que não é o mais correto). Sempre acabaram cedendo as pressões dos empresários. Opa! Então os empresários tem culpa. De certa forma. Mas cabe a prefeitura e demais órgãos a impor limites aos empresários. É da natureza do empresário forçar os limites, e é da natureza dos órgãos públicos impor limites e fazer os mesmos serem respeitados. O que não é aceitável é a prefeitura ceder a pressão e vontades dos empresários.

Quando citei os prefeitos acima não incluí o César por dois motivos: primeiro porque seu mandato está apenas começando, e segundo porque por esse breve começo ele está demonstrando ser um pouco diferente. Ao menos agora a cidade está vendo que um prefeito com comprometimento com o povo e com a cidade pode fazer muita diferença. Vamos esperar que ele continue assim até o final do mandato e que lute contra outras irregularidades menores quando comparadas a um grande hotel, mas não menos prejudiciais à cidade.


Leia a continuação desse post clicando aqui

27 de jan. de 2013

Lições da tragédia de Santa Maria


Não quero parecer frio e insensível, mas nessas horas de tragédia, ao invés de ficar comovido ao assistir matérias sensacionalistas com pessoas chorando em frente as câmeras, eu prefiro tentar ver o que de bom podemos aproveitar. Se é que uma tragédia dessas proporções tem algo de bom. Na verdade penso que sim. Tragédias como esta custam muito caro, centenas de vidas humanas, para apenas ficarmos chorando pelo "leite derramado". Com um custo altíssimo assim, devemos aproveitar tudo de bom que ela pode nos oferecer, tirar todas lições possíveis para evitar que o mesmo se repita na semana que vem numa boate qualquer pelo Brasil afora.

Daqui a um mês o Brasil haverá esquecido todo esse sensacionalismo, toda esta tragédia, mas que lições ficarão para o futuro? Que lições iremos aprender com essa tragédia para evitar que o mesmo se repita no futuro? Que lições para melhorar a segurança de prédios públicos (boates, teatros e afins) nós engenheiros e arquitetos vamos aproveitar? E as autoridades vão ser mais rigorosas nas inspeções e liberações de alvarás?  Quais novos procedimentos para situações assim serão criados? Havia pessoal treinado no local para combater o fogo? Ou os seguranças só serviam para barrar a saída de quem não pagasse?

Segundo vi numa matéria, a boate estava construída dentro das normas e legislação atual, mesmo estando com o alvará vencido. Isso significa que as normas e legislação estão erradas e precisam ser revistas. Não estou falando para que sejam criadas comissões especiais nas câmaras de deputados ou no senado para que fiquem discutindo eternamente o que deve ou não ser mudado na lei. Que se faça algo de prático e objetivo e que as normas e legislação sejam repensadas com celeridade para que o quanto antes novas regras mais seguras sejam implantadas e fiscalizadas. Que a fiscalização seja rigorosa e as boates sem segurança adequada sejam fechadas e lacradas e que assim esta tragédia possa servir para algo de bom, que será a melhoria da segurança de espaços públicos.

26 de nov. de 2012

Celular na Cadeia

Pergunta valendo um milhão de reais:

O que é mais fácil?

A - Apertar o cerco nas revistas aos visitantes em cadeias, sejam parentes ou advogados, para impedir a entrada de celulares e outros objetos proibidos nas cadeias e presídios;

B - Fazer uma lei que obrigue as empresas de telefonia a instalarem bloqueadores de sinal nos presídios.

Sendo a resposta óbvia e sabendo o jeito que opera o nosso governo, esta ai a brilhante solução dada por eles para mais esse problema de segurança pública. Leia a notícia que saiu hoje do DC que fala sobre isso. Foi criada uma LEI obrigando as operadoras a instalarem os bloqueadores de sinal nos presídios. Claro que as empresas recorreram no STF contra essa lei alegando - ao meu ver com razão - que o estado não pode repassar para empresas privadas o custo de um problema que é do estado.

O estado (governo estatual e federal) não amplia o sistema prisional. Os presídios e cadeias que temos ai estão superlotados, verdadeiros depósitos de gente, com problemas de infraestrutura, segurança, saúde, etc. Os presídios que dizem ser de segurança máxima não chegam nem perto disso, afinal o Fernandinho Beiramar continua mandando mesmo preso em um desses presídios.

Pouquíssimos presídios oferecem real condição de reintegrar um apenado à sociedade dando a ele reais condições de conseguir um emprego e de largar a vida do crime após sair do regime fechado. Sendo assim, o sistema prisional brasileiro não funciona e não cumpre sua missão. Depois quando acontece ondas de crimes e atentados como a da última semana aqui em Florianópolis tem gente que ainda não sabe porque. Os criminosos são culpados e merecem punição severa? Claro que sim, sem dúvida! Porém devemos dar a eles as mínimas condições para que eles cumpram suas penas com dignidade e saiam pensando em mudar de vida e largar o crime.

Passou da hora do estado agir de forma eficiente ao invés de repassar para a iniciativa privada a responsabilidade de bloquear o sinal de celular nos presídios, o que antes de mais nada não passa de uma solução do tipo "tapar o sol com a peneira". Que tal planejar e agir com eficiência Sr. Governador e Sra. Presidente?


28 de out. de 2012

Cruzamento livre



Pela foto vocês já devem imaginar o assunto de hoje. O que vou dizer parece meio óbvio, porém como visto diariamente em diversos cruzamentos das mais variadas cidades, especialmente em Florianópolis, parece que no horário de pico muitos motoristas - pra não dizer todos - ficam meio abobalhados e esquecem até das coisas mais óbvias: todo cruzamento deve permanecer sempre livre para não congestionar o fluxo na rua transversal!



Vendo as fotos vocês já perceberam o que acontece quando algo óbvio não é respeitado pelos motoristas apressadinhos e folgados. O caos toma conta do trânsito. Um colega da internet postou uma hipótese muito ilustrativa.
"Imagine um cruzamento bloqueado. Agora imagine que, por causa deste bloqueio, uma fila enorme se forma na rua transversal, o que vai acabar bloqueando outro cruzamento, da quadra de trás, e este, por sua vez também vai formar outra fila na rua paralela à primeira, que bloqueia outro cruzamento, e esta fila agora, é quem está bloqueando o primeiro dos cruzamentos. Meio confuso, não? De qualquer maneira, agora imagine isso estendido a vários quarteirões. Eu acho que acontece, mas a gente não percebe..."
Desenhando fica mais fácil de entender...


Você leitor apressadinho, percebeu o que acontece quando você não respeita algo óbvio, quando não tem paciência de esperar pra avançar, quando não respeita as leis de trânsito? Você é o responsável pelo inferno na terra, pelo seu próprio inferno, que é o trânsito caótico do horário de pico.

Depois dessa introdução elucidativa, vamos ao que interessa: uma solução simples para resolver esse problema. Cabe uma ressalva: não existe solução mágica! Ou seja, tudo depende da educação dos motoristas e da fiscalização firme, constante e eficiente. Mas para ajudar na fiscalização e educação, uma medida muito simples é a pintura e demarcação das áreas de cruzamento que jamais devem ser bloqueadas, as famosas Yellow Box (mas como não gosto de termos em inglês, chamarei de Área Livre), como vemos na foto abaixo.


Sobre essa área demarcada, nenhum carro jamais deverá parar, para não obstruir o trânsito da rua transversal. Quem para sobre essa área, além de atrapalhar e muito o trânsito, está sujeito às penalidades de trânsito (infração média).

Aqui em Florianópolis, a prefeitura não tem nem nunca teve o costume de utilizar essa marcação nos cruzamentos. Na verdade só tenho conhecimento de um cruzamento aqui que tem essa marcação, no cruzamento em frente ao terminal Rita Maria. Se todos cruzamentos tivessem essa marcação os motoristas teriam mais facilidade para respeitar essa regra, e os policiais e guardas de trânsito teriam mais facilidade para multar os infratores. Simples assim!

23 de out. de 2012

Lombada Inteligente

Dando continuidade ao último post, com opiniões de soluções simples para melhorar o trânsito, sempre pensei que as lombadas poderiam ser mais do que meros obstáculos para redução de velocidade. Porque não juntar duas funções em um só equipamento? Lombada + faixa de pedestre! Muito mais interessante do que lombada e cinqüenta metros depois uma faixa de pedestres, o que obriga na maioria das vezes a reduzir ou parar o carro duas vezes, como visto na foto abaixo, próximo a entrada da Serrinha. Isso quando a lombada não está encostada na faixa de pedestre.


No Córrego Grande, outra via que é muito congestionada, entre a padaria Super Pão e a Escola Básica João Alfredo Rohr, em um trecho de quase 800m, temos 4 lombadas ao lado de faixas de pedestre, contribuindo para trancar ainda mais o trânsito.

Já vi essa solução - de juntar lombada e faixa de pedestre - usada largamente em Santiago no Chile, em Jurerê Internacional em apenas um ponto, na Pedra Branca e também na parte revitalizada da SC-439 entre Grão Pará e Urubici logo após a Serra do Corvo Branco (que por sinal ficou uma belezura, muito bem sinalizada), como visto na foto abaixo. Algo muito mais prático e lógico não acham?



O nome técnico para isso é Travessia Elevada ou Faixa Elevada. Além dos benefícios para o trânsito, ao se adotar essa solução a mobilidade dos cadeirantes também é facilitada pois, a faixa de pedestre ficará no mesmo nível da calçada, como pode ser melhor percebido na figura abaixo, retirada de um documento do Governo de São Paulo.









Penso que nem toda faixa de pedestre deveria virar lombada, mas toda lombada deveria virar faixa de pedestre. Claro que cada caso deveria ser analisado para que seja adotada a melhor solução conforme as necessidades e região. Mas onde os dois equipamentos estão próximos que se juntem eles, economizando uma parada ou redução de velocidade o que melhorará o fluxo nas ruas e avenidas assim como a vida dos cadeirantes. Simples assim!

4 de out. de 2012

Precisamos de especialistas

Andando pela cidade, seja de carro, de bicicleta ou a pé, percebo que pequenas ações da prefeitura poderiam contribuir muito para a melhoria do trânsito e da qualidade de vida das pessoas. Geralmente a prefeitura fala de grandes obras, como trevos, viadutos, duplicações, porém parece que não dá muita atenção para pequenas melhorias que poderiam ser feitas com supervisão de especialistas em trânsito e urbanismo. Se não há gente suficiente nos quadros da PMF/IPUF, porque não fazer convênios com as universidades e empresas juniores de cursos como Arquitetura e Urbanismo ou Engenharia Civil? Se não há especialistas no IPUF, nas universidades tem de sobra.

Talvez esteja equivocado ao falar que não há especialistas no IPUF, porém no quadro de funcionários vemos que só há uma pessoa na diretoria técnica, assim como no departamento de trânsito. E na diretoria de planejamento também só há uma pessoa além da secretária (lista completa). Dessas áreas só é possível ver o currículo da diretora de planejamento, que é Arquiteta pós-graduada. E os demais? Será que são especialistas ou apenas "políticos"? Mesmo sendo especialistas, fica claro que falta gente qualificada para somar ao quadro de funcionários do IPUF.

Como planejar uma cidade sem pensadores, sem especialistas? Não é preciso gastar fortunas em diárias para levar políticos à outros países para verem soluções adotadas lá fora. Cada cidade tem sua realidade. O que é preciso é vontade política de se resolver de fato os problemas de nossa cidade. Não espero que o prefeito seja o especialista que tanto falo. Espero que ele tenha humildade suficiente para contratar especialistas ou firmar convênios com as universidades para estes sim, pensarem nas melhores soluções de urbanismo e trânsito.

Eu não sou especialista em nenhuma dessas áreas, mas pela minha formação tenho um pouco de conhecimento e visão crítica. Por isso começarei a dar opiniões sobre essas pequenas alterações que poderiam ser feitas para melhorar o nosso trânsito e nossa qualidade de vida.

2 de out. de 2012

Ponta do Coral e a Mobilização Tardia

A Ponta do Coral, em Florianópolis, voltou a ser manchete de uns tempos pra cá depois que a Hantei lançou o projeto da construção de um hotel no local (leia sobre). Muitos são a favor, muitos são contra. Eu já defendi publicamente o projeto, porém hoje, após ler um pouco mais e refletir melhor, já não tenho tanta convicção assim que o projeto é o melhor para a área. Ainda credito que se trata de um bom projeto, mas a opção da área ser 100% pública também é muito interessante.

Mas após ver toda mobilização contra, quero questionar outra coisa além de ser a favor ou contra o projeto. Não consigo entender essa luta contra o hotel, pois até pouco tempo atrás, antes de se falar em hotel, a área era "pública", pois estava lá aberta, abandonada, inutilizada, servindo de ponto de consumo de drogas e prostituição, crescendo mato, não servindo pra nada. Ou seja, agora que alguém quis aproveitar a área que tem um enorme potencial e assim fazer a região se desenvolver, muitos criticam essa iniciativa e pedem a área 100% pública. Tá certo que a reivindicação de área 100% pública remete aos anos 30, porém desde que me conheço por gente nunca vi anteriormente uma única manifestação da população sobre o assunto.

Onde estavam todos esses que são contra quando a área estava abandonada não servindo pra nada? Porque não se engajaram com a mesma vontade para exigir da prefeitura que fizesse algo de útil no local? Então se o tal projeto do hotel nunca viesse a ser feito a área iria permanecer abandonada pra sempre? Todos querem a praça mas ninguém cobra nada, ninguém faz nada. Quando o dono aparece pra utilizar a área todos caem de pau em cima. Porque não houve essa mobilização antes de se falar em hotel? A maioria da população quer ou não quer o hotel? Criticar depois do projeto feito é fácil. O difícil é fazer o projeto e executá-lo.

Segue alguns links recomendados por um amigo que fala mais sobre o local:
1. http://desacato.info/2012/03/ponta-do-coral-privatizacao-da-natureza/
2. http://www.youtube.com/watch?v=fvPaSAz_OYk&feature=youtu.be
3. http://parqueculturaldas3pontas.wordpress.com/quem-somos/

11 de set. de 2012

Patriotismo

Quando se fala em patriotismo acho que a maioria dos Brasileiros pensa em copa do mundo. Outra grande parte pensa em Olimpíadas. Alguns talvez lembrem do 7 de setembro, e talvez uma pequena parte pense nisso quase que diariamente ao se enojarem com essas infindáveis notícias de corrupção e desvio de verbas. Eu me considero um patriota, alguém que sente orgulho de ser Brasileiro e que quer sempre o melhor para essa grande nação. Para mim, nada melhor que os desfiles de 7 de setembro para mexer com esse meu orgulho, com meu patriotismo. Se vestir de verde e amarelo, ostentar bandeiras do Brasil não é sinal de aprovação do governo. É sinal de que somos Brasileiros antes de mais nada, e que defenderemos nossa pátria de todo o mal, seja externo ou seja interno como governos corruptos.

No dia 7, ao passar pelo desfile cívico aqui em Floripa rumo a BR-101 e Criciúma, comentei que tudo isso, os militares em forma, a população de verde e amarelo balançando bandeirinhas do Brasil, todos em clima de festa, me emociona muito e faz o orgulho de ser Brasileiro transbordar. Porém quem estava comigo não entendeu, pois sabe que muitas vezes comento e chego a escrever aqui ou no facebook falando mal do Brasil: da sua infraestrutura, da mania de tentar se resolver tudo no jeitinho, dos políticos, das maracutaias, corrupção, falta de saúde, educação, segurança, etc. Mas ai que está o ponto fundamental para mim.

Eu falo mal mesmo das coisas erradas que temos aqui no Brasil, não porque não gosto daqui. Falo pois me agonia ver tudo isso de ruim e as pessoas não se importarem, não exigirem mudanças, ficarem na mesma, votarem sempre nos mesmos "Malufs". Falo pois quero ver os problemas do Brasil serem resolvidos um a um até um dia nos tornarmos de fato uma nação de primeiro mundo. Falo porque sou patriota e me incomoda ver que poucos estão de certa forma destruindo o meu país, a minha nação. E como não tenho poder suficiente para resolver esses problemas sozinho ou para chegar até os responsáveis por tudo isso e cobrar uma atitude, uso o único poder que tenho, que é a palavra e a internet. Assim quem sabe mais pessoas que pensem como eu também comecem a se mexer e juntos sim teremos poder suficiente para ajudar a nossa pátria, ajudar o Brasil a mudar de rumo.

11 de jun. de 2012

Álcool Líquido

Deixa eu ver se entendi. O álcool líquido é muito perigoso, causa grande parte das queimaduras domésticas, principalmente em crianças. Ou seja, é uma substância muito perigosa. Certo?! Entendi! O álcool é tão perigoso (nas mãos de uma criança principalmente) quanto uma faca bem afiada, um tesoura pontuda, uma panela de água fervente, um carro, fogos de artifício, uma serra circular... certo?! Entendi! Então, pelo álcool ser muito perigoso querem voltar com proibição da sua comercialização para assim prevenir acidentes em casa. Certo?! Não... não entendi.

Como assim? Que o álcool é perigoso nós já sabemos. Mas proibir a sua venda é um absurdo. O álcool é muito importante para diversas tarefas domésticas, em que o álcool em gel não resolve. Se querem proibir a venda do álcool líquido por ser perigoso nas mãos de crianças, então proíbam também a venda do que listei antes: carros, facas, serras e também proíbam de ferver água no fogão.

A responsabilidade dos acidentes envolvendo crianças não é do álcool, e sim dos adultos que deixam o álcool ao alcance das crianças. Não adianta criar leis para proibir a venda do álcool líquido enquanto em casa os pais continuarem a deixar panelas com água fervente na beira do fogão, facas em lugares baixos, enfim, enquanto não cuidarem das crianças e dos perigos que as rodeiam. E se por fim você achar que o álcool líquido deveria ser proibido por ser muito perigo, basta não comprá-lo.


4 de mar. de 2012

Os jovens e a internet

Estava vendo um trecho de um programa no Canal Futura sobre a juventude e a internet, onde foi dito que quando uma criança de hoje em dia chegar a vida adulta, terá gasto mais de 10.000 horas na internet. Isso é mais do que 1 ano inteiro ligado a um computador, 24 horas por dia!!! Muitos dizem que isso é normal, afinal são novas gerações, novos tempos, novas brincadeiras. Mas como assim? Brincadeira é coisa séria, são jogos e atividades que auxiliam o desenvolvimento da criança como um todo, tanto mentalmente quanto fisicamente, além é claro de ser uma grande diversão.

Os computadores podem ajudar e complementar o desenvolvimento intelectual de uma criança, mas nunca deveria ser o foco das atividades de uma criança, a fonte de praticamente toda sua atividade de lazer e diversão. Lugar de criança é na rua, no parque, no chão, jogando bola, taco, brincando de esconde-esconde, correr, andar de bicicleta, subir em árvore, descer morros com carrinhos de rolimã, skate, soltar pipa... Twitter, facebook, orkut, msn deveriam ser as brincadeiras de dia de chuva no máximo. Mas os pais de hoje, os adultos, não tem mais tempo de ensinar as crianças e seus filhos a brincar de verdade. Ensinar a jogar bola, andar de skate, soltar pipa, fazer um carrinho de rolimã dá muito trabalho. É muito tempo gasto para fazer essas coisas. E a criança pode se machucar, tadinha, pode se ralar. Queridos... criança foi feita para se machucar.

Mas o que é mais fácil? Colocar o filho na frente do computador, pra ele ficar ali vidrado, hipnotizado pela tela mágica e não encher o saco nem se quebrar na rua, ou ensinar ele a brincar de verdade como todo moleque que nasceu até os anos 80? Então não adianta culpar a internet, os novos tempos, as novas tecnologias ou as novas modinhas pelas crianças de hoje estarem assim tão "computadorizadas". A culpa é nossa, dos adultos, que damos o exemplo e ensinamos para elas que o divertido é ficar na frente do computador por horas e horas. E infelizmente eu também sou um desses que estou deixando de fazer as coisas boas da vida para (literalmente) perder cada vez mais tempo na internet. Mas é sempre tempo de mudar, e voltar a brincar de verdade...

11 de fev. de 2012

Investimentos em educação

Vi hoje uma matéria na TV que beira o absurdo. Algumas prefeituras do estado e o próprio Governo estadual, irão demolir algumas escolas pois estão em total estado de abandono, sem condições de funcionarem com a mínima segurança e conforto. Segundo a matéria são escolas antigas da década de 80, como se isso fosse motivo para demolição. Vejam quantos prédios centenários abrigam ótimas escolas e faculdades nos EUA e Europa. O fato de serem da década de 80 não justifica a demolição.

O que acontece é a sempre e constante falta de investimentos em educação, de maneira concisa, ordenada e planejada. Então os governos municipais e estadual deixam de investir na manutenção das escolas, e ano após anos elas vão se deteriorando. O nosso dinheiro público vai escoando pelo ralo junto com as goteiras dos telhados. Até que um belo dia, no início do ano letivo e "coincidentemente" em ano eleitoral, eles resolvem demolir as escolas para construir novas. Alguém imagina o real motivo? Será para assim desviar mais dinheiro para as campanhas de outubro? Será para contabilizar novas escolas nos imensos currículos de obras dos políticos? Será para inflar os investimentos em educação em ano eleitoral e assim manipular a informação e o povo? 

Os motivos reais são obscuros mas velhos conhecidos. E como sempre quem sai perdendo é a população em geral. Alguém já viu uma escola particular, de empresários sérios, caindo aos pedaços? Claro que não, pois eles sabem que o patrimônio e instalação física da escola custa muito dinheiro e influi diretamente na qualidade do ensino. Então eles preferem sabiamente investir menos mas constantemente para manter a estrutura física sempre em ordem e funcional. Já os nossos políticos, preferem pensar na campanha eleitoral que acontece de 2 em 2 anos como uma praga eterna. É hora de acordar e exigir mais seriedade dos nossos governantes. Mas como que o povo vai "acordar" se não receberam uma boa educação e são ignorantes (no "melhor" sentido da palavra)? E assim caminha a nossa educação, sempre na margem, sem um real investimento e valorização por parte dos governantes.

24 de jan. de 2012

Tem alguma coisa errada

Eu não sou dono da verdade. Nunca fui nem nunca serei. Mas tem alguma coisa errada. Não é possível vermos notícias cada vez mais escandalosas sobre corrupção e uso indevido do dinheiro público, sobre desvios de verba, violência urbana crescendo, saúde pública aos farrapos, infra-estrutura nacional sucateada, educação esquecida pelos governantes e por ai vai, e durante mais de duas semanas só se falar dos fatos ocorridos num programa de reality show, numa falsa grávida, e numa ilustre desconhecida que estava fora do país.

Não gosto desse tipo de assunto, mas também não tenho nada contra, desde que sejam falados nos devidos canais e programas de entretenimento! Acontece que esses referidos assuntos foram exaustivamente discutidos em telejornais ditos como sérios e em reportagens especiais de vários minutos em horário nobre. Tem alguma coisa errada nisso tudo. Afinal o Brasil tem muitos outros problemas mais sérios e importantes para serem apresentados e discutidos pela mídia. Já passou da hora do Brasileiro cair na real e exigir dos governantes atitudes sérias, de reivindicar ser tratado com respeito e ter o seu dinheiro dos impostos devidamente aplicados em obras e projetos importantes. Enquanto ficarmos simplesmente vendo, falando e rindo de "Luizas" e "grávidas falsas" não poderemos ser levados a sérios como cidadãos.

27 de dez. de 2011

Mais um ano

Já faz mais de um mês que escrevi sobre a falta de dobrar o joelho. Depois disso senti a falta que faz dobrar o cotovelo (fiquei mais de 3 semanas com o braço engessado), já voltei a dobrar o joelho e o braço, voltei a andar de moto, tocar violino, subir escadas sem dificuldade. O ano vai acabando e eu voltando ao "normal", graças a Deus. Só tenho que agradecer pelo ano que passou, que foi um ano com conquistas e com dificuldade superadas. E assim segue a roda da vida.

Mas nessa época de retrospectiva, onde tudo de bom que aconteceu no ano e principalmente tudo de ruim é relembrado, vejo que tem muita coisa errada por ai. Mas nesse último post não quero falar sobre isso, quero apenas olhar pra trás e ver que depois de 2011 sou um melhor marido, melhor filho, melhor engenheiro. Eu poderia ter sido melhor? Sem dúvida nenhuma que sim. Eu poderia ter sido muito melhor!! Mas ainda bem que estou longe de chegar a perfeição, pois se não ano que vem não teria o que melhorar. Assim, em 2012, poderei continuar nessa minha lenta jornada de melhoria contínua, melhorando um pouco a cada ano que passa.

Feliz Natal a todos, e que o amor e a luz que é Jesus possa estar conosco em todos os dias de 2012!

16 de nov. de 2011

Que falta faz dobrar o joelho

Já diz a sabedoria popular que só damos valor quando perdemos algo. E é a mais pura verdade para a maioria de nós. Outro problema é que agradecemos pouco. Geralmente estamos sempre reclamando ou querendo algo que não temos, e esquecemos de agradecer por aquilo que temos. Agradecer ao amigo, ao cônjuge, a Deus, Jesus, Alá, Maomé, ao arquiteto do universo, ao próprio universo, agradecer ao deus sol, a quem quer que seja, independente de credo ou religião. Num dia até agradecemos pelo "iPad" que ganhamos, porém no dia seguinte já começamos a reclamar porque não foi o iPad 2. Reclamamos porque o carro não tem direção hidráulica, vidro elétrico ou ar condicionado. Deixamos de agradecer simplesmente porque o dia está chovendo e queríamos ir a praia.

Alguém ai lembra de agradecer o simples fato de poder andar, ver, ouvir, falar? Lembra de agradecer por saber ler, por ter acesso a internet em casa (por mais que seja "apenas" 500kbps), por conseguir lembrar do que fez ontem? (minha vó tem Alzheimer. Não reconhece mais a própria filha). São coisas simples e que a maioria dos que nos cercam também tem ou fazem, mas isso não deveria permitir que simplesmente deixássemos de agradecer por tudo isso.

Por um acaso alguém ai sabe o valor de simplesmente poder dobrar o joelho??? Eu não sabia até semana passada, quando sofri um acidente de moto e arrebentei o joelho, e somente agora - uma semana depois -estou começando a voltar a dobrar o joelho. Pode acreditar. Faz muita falta! E agora eu aprendi a agradecer por eu poder voltar a dobrar o joelho e por ter me arrebentado todo, mas ainda assim não ter sido nada mais grave. Somente enquanto estava na emergência do Hospital Regional em São José, chegaram mais dois acidentados de moto que não tiveram a mesma "sorte" que eu. Estou me esforçando para agradecer a Deus todos os dias por tudo de bom que acontece na minha vida, por todas aquelas coisas simples que nos fazem felizes mas nem percebemos por causa da vida agitada de hoje em dia.

Portanto se você está de mal humor porque é "segunda-feira" ou porque amanheceu chovendo, lembre-se de parar um minuto (literalmente um minuto, não precisa mais que isso) e agradecer a Deus pela sua vida, por ter acordado, por ter um trabalho, por poder ver a chuva ou o sol, por poder dobrar o joelho, e por tantas outras coisas. Tenho certeza que isso vai fazer você mudar seu humor pra melhor e ter um dia muito mais agradável.

31 de out. de 2011

Cidadão Palhaço

Reproduzo abaixo texto que enviei ao Diário do Leitor do DC:
Estava na fila do semáforo embaixo do viaduto do túnel Antonieta de Barros, no Saco dos Limões em Florianópolis, quando um cidadão atravessou o carro na pista da esquerda esperando uma chance para claramente furar a fila. Antes do semáforo abrir, chegou um policial de moto que parou ao lado do carro que queria furar a fila e para meu espanto nada fez. Nem foi capaz de dar uma simples advertência verbal ao motorista infrator. Olhou e achou normal, tanto assim que quando a sinaleira abriu o policial deu vez ao furão. Essa é apenas umas das situações de descaso da polícia que vemos diariamente. O que fazer quando a própria polícia é conivente com o infrator? Como cidadão que cumpro as leis, fiquei me sentindo um verdadeiro palhaço!
Para completar, fiquei na dúvida da palavra certa para expressar como me senti: otário, idiota, besta, burro, ingênuo, tanso... mas entre tantas achei que palhaço era a melhor delas. Eu, que sempre espero no final da fila, quando vejo um policial se aproximar de alguém querendo furar fila penso que no mínimo o policial vai dar uma bela bronca no espertinho e mandar ele seguir o caminho sem furar fila, o que provavelmente vai levar o infrator para outro lado que ele não queria ir, fazendo ele perder muito mais tempo e pensar muito antes de querer furar fila novamente. Mas ledo engano... a Polícia Militar de Santa Catarina é conivente com os infratores, afinal o que vi não foi uma situação isolada.

Diante dessa situação, do policial olhar e não fazer nada, não falar nada e ainda dar a vez pro infrator, penso que estamos todos ferrados, pois então não adianta seguir a lei, ser um cidadão correto, afinal o que ganharei com isso? No mínimo ganharei mais tempo na fila, pois terei que dar a vez aos furões. Sou simplesmente mais um verdadeiro cidadão palhaço, neste enorme país de palhaços.


2 de out. de 2011

Foco: quem faz de tudo não faz nada direito

Como já perceberam, eu tenho opinião sobre tudo. Falo de tudo, faço de tudo, e isso tem suas vantagens. Mas como sempre, tem desvantagens também. Percebo que é preciso ter foco no que fazemos, se realmente queremos "chegar em algum lugar". Falo isso especialmente no campo do trabalho. Se for um faz tudo, será um faz tudo meia boca que não faz nada direito. Mas acho que antes de focar é preciso experimentar as várias alternativas que sempre existem para assim ter uma visão mais ampla e poder escolher melhor a área específica de atuação.

Na Engenharia Civil, profissão que escolhi, temos uma infinidade de opções de carreiras e, como exemplo cito algumas: projetos, planejamento, orçamento, gerenciamento de obras e de contratos, coordenação, fiscalização, compras, e execução de obras. Se for projetos, estes podem ser estrutural, hidrossanitário, elétrico, esquadrias, revestimento, fachadas, preventivo, etc. Se for estrutural ainda pode ser em concreto armado, concreto pré-fabricado, metálica, madeira. E se for trabalhar com obras estas podem ser de casas, edifícios residenciais ou comerciais, de baixo ou alto padrão, infra-estrutura, fundações, instalações industriais, grandes barragens, PCHs, obras pesadas, obras de terra e contenção, obras de arte (pontes, viadutos, galerias), túneis, portos, aeroportos, ferrovias, estradas... e muitas outras opções, cada uma com suas particularidades. Essa variedade de especializações não é exclusividade dos engenheiros. Muitas profissões tem um grande leque de atuação.

Eu escolhi pra mim execução de obras e outras atividades correlatas como orçamento e planejamento de obra. Comecei com reformas, casas, condomínios e agora estou em edifícios de alto padrão, e pretendo continuar nessa área mais alguns bons anos até poder montar a minha própria empresa.

Vejo que é importante fazer várias coisas, passar por várias experiências ao longo de uma carreira. Mas uma hora é preciso definir, focar, em um ramo de negócio. Para alguns essa hora de definir é logo no início. Para outros um pouco mais tarde. Penso também que não precisa ser algo fixo e imutável, podendo mudar entre as várias opções durante uma carreira. Mas querer fazer de tudo um pouco ao mesmo tempo, para mim não é o caminho. Pois como já disse, quem faz de tudo não faz nada direito.

15 de set. de 2011

Parada da Diversidade

No último final de semana aconteceu em Floripa a Parada da Diversidade, dos GLSBT (entre outras letras). Evento bonito (para alguns) mas realizado no lugar errado. Na segunda-feira mandei para a coluna Diário do Leitor do Diário Catarinense a seguinte carta:
Todo ano é a mesma polêmica sobre a parada da diversidade realizada na Beira Mar Norte em Florianópolis. Não tenho nada contra essa diversidade nem contra o "amor deles", como dizia a campanha em outdoors pela cidade. Porém o direito deles se divertirem e desfilarem numa grande festa acaba onde começa o meu direito pela paz, sossego e acima de tudo pelo direito de ir e vir. É um abuso da prefeitura permitir que tal evento seja realizado na principal avenida da cidade. Será que insistem em fazer o evento na Beira Mar Norte porque tem a necessidade de serem vistos, de virarem assunto e, de atrapalharem os demais cidadãos? Porque não fazem na Beira Mar continental, que apesar de pronta permanece fechada? Porque não fazem na passarela do samba que é um local muito mais apropriado? Espero que ano que vem a prefeitura e os organizadores tenham bom senso e façam tal evento num local mais apropriado.
E no dia seguinte, uma leitora respondeu com a seguinte carta:

Em resposta às palavras do leitor Eduardo de Sousa (Diário do Leitor, 13/09), penso que este cometeu um grande equívoco ao classificar a parada gay como uma passeata com mera finalidade de diversão e exibicionismo. A parada gay transcende, é uma mobilização legítima de uma minoria que tem como objetivo comum reivindicar seus direitos e conseguir a aceitação e inclusão na seara jurídica e social. Com respaldo no princípio da proporcionalidade, a liberdade de reunião, garantia constitucional, se sobrepõe ao direito de ir e vir, dada a peculiaridade da circunstância. Portanto, é legítima a causa do movimento em manifestar-se na principal avenida da cidade, ao contrário do que assevera o leitor Eduardo. - Fernanda Rapozo
Hoje dois leitores responderam a carta da Sra. Fernanda com alguns pontos que eu também concordo e exponho abaixo. Não respondi a carta dela no jornal pois penso que o Diário do Leitor é um lugar democrático onde podemos expor nossas idéias, e consequentemente ouvir opiniões contrárias. Não é lugar de ficar "batendo boca".

Eu não classifiquei nada, apenas relatei a realidade. Qualquer um que viu a parada percebeu que de transcendente e de mobilização não tinha nada. Era puramente diversão e exibicionismo. A menos que homens e "mulheres" seminus dançando em cima de um trio elétrico com música de festa virou agora mobilização. Como falaram hoje nas cartas no DC, o direito da minoria a uma "mobilização" não pode se sobrepor ao direito da maioria da população. Se a minoria "excluída" quer direitos iguais (e tenho certeza que merecem direitos iguais e respeito de todos) eles também devem seguir os deveres da maioria. Ou seja prezada Fernanda, o direito constitucional da liberdade de reunião vem junto com deveres. E esse direito de reunião vem junto com o dever de fazer no lugar certo.

Portanto precisamos botar os pingos nos i's! Que têm direito de fazer sua parada, sua festa, sua mobilização que seja, todos tem. Mas no lugar certo! Que façam na passarela do samba onde sempre são realizadas as festas desse tipo, sejam públicas ou privadas.

3 de set. de 2011

Educação no Brasil

Vendo aqui a propaganda do Ministério da Educação sobre várias novas universidades e vários campi dos Institutos Federais - ensino técnico - pelo país afora penso que o governo aparentemente tem investido muito na educação. De fato pode estar investindo muito, mas está investindo bem?!?!

Creio que a resposta é não. Está investindo em ensino superior e técnico, que sem dúvida é importante, muito importante, porém a base que é o ensino fundamental fica de lado. Assim acabam rebaixando o nível do ensino superior, que mais cedo ou mais tarde vai acabar formando engenheiros que não sabem física elementar, que mal sabem matemática e química, jornalistas que não sabem gramática, advogados que não sabem leis, e por ai vai. Já presenciei um candidato a uma vaga de estágio que cursava engenharia e mal sabia calcular área!!!!

O ensino fundamental, como é óbvio pois está dito no nome, é fundamental! Mas acho que o governo não percebeu o óbvio. Como sempre aqui no Brasil, começam pelo lugar errado, colocam a carroça na frente dos bois. Primeiro deve ser feito o elementar que é melhorar o ensino fundamental, remunerar melhor os professores, adotar a meritocracia nas escolas básicas. Enquanto continuar com essa pedagogia de não reprovar (pois isso é ruim para os índices), enquanto alunos analfabetos forem passando de série em série, enquanto os alunos mandarem nas salas de aula e nos professores, enquanto os professores não forem realmente valorizados (e continuarem apanhando literalmente), o Brasil não vai pra frente. Infelizmente isso não sou eu que acho... isso é fato!

3 de ago. de 2011

Escotismo

Fui na palestra "Formando Líderes e Empreendedores há mais de um Século" promovida pela Confraria Empresarial, onde foi abordado o movimento escoteiro e sua capacidade de formar melhores profissionais, além de melhores cidadãos. Cheguei a me arrepiar em alguns momentos, pois lembrei da minha vida escoteira e de momentos que tive ao longo de mais de 13 anos de movimento escoteiro. Na época era só alegria e diversão, mas hoje vejo que o escotismo contribuiu muito para a minha formação pessoal e principalmente profissional.

Graças ao escotismo que desde os 7 anos tive experiência em trabalho em equipe, liderança, ser liderado, ter responsabilidades, superar frustrações, enfrentar desafios, transpor dificuldades, ser persistente, planejar uma atividade, enfim, tantas outras habilidades e características que me ajudam profissionalmente e pessoalmente.

Na palestra citaram vários escotistas famosos, entre eles o Papa João Paulo II e o ex-vice-presidente José de Alencar. O José de Alencar é um verdadeiro exemplo para todos Brasileiros e escoteiros. Aos 12 anos ele ingressou no Escotismo, e sempre lembrou das suas atividades com carinho, reconhecendo repetidas vezes a contribuição do Escotismo em sua formação. Inclusive afirmou que somente suportou enfrentar dolorosos momentos da doença, porque "O Escoteiro tem fibra, é alegre e sorri nas desventuras", fazendo constantemente menção aos valores propostos pela Lei Escoteira. Quem não lembra dele saindo do Hospital sorrindo enquanto tantos outros já teriam desistido?