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24 de jan. de 2012

Tem alguma coisa errada

Eu não sou dono da verdade. Nunca fui nem nunca serei. Mas tem alguma coisa errada. Não é possível vermos notícias cada vez mais escandalosas sobre corrupção e uso indevido do dinheiro público, sobre desvios de verba, violência urbana crescendo, saúde pública aos farrapos, infra-estrutura nacional sucateada, educação esquecida pelos governantes e por ai vai, e durante mais de duas semanas só se falar dos fatos ocorridos num programa de reality show, numa falsa grávida, e numa ilustre desconhecida que estava fora do país.

Não gosto desse tipo de assunto, mas também não tenho nada contra, desde que sejam falados nos devidos canais e programas de entretenimento! Acontece que esses referidos assuntos foram exaustivamente discutidos em telejornais ditos como sérios e em reportagens especiais de vários minutos em horário nobre. Tem alguma coisa errada nisso tudo. Afinal o Brasil tem muitos outros problemas mais sérios e importantes para serem apresentados e discutidos pela mídia. Já passou da hora do Brasileiro cair na real e exigir dos governantes atitudes sérias, de reivindicar ser tratado com respeito e ter o seu dinheiro dos impostos devidamente aplicados em obras e projetos importantes. Enquanto ficarmos simplesmente vendo, falando e rindo de "Luizas" e "grávidas falsas" não poderemos ser levados a sérios como cidadãos.

28 de jul. de 2011

Pergunta Fundamental

A pergunta que todos nós (especialmente políticos e funcionários públicos) devemos fazer é: Se eu fosse pagar/comprar isso com o dinheiro do meu salário, eu pagaria? Se fosse na minha obra, eu aprovaria esse aditivo? Se todos nós fizéssemos essas duas simples perguntas com mais freqüência em nossos trabalhos, especialmente nos trabalhos públicos, conseguiríamos resolver e diminuir em muito a corrupção em nosso país. (Obviamente partindo do pressuposto que temos um mínimo de bom senso).

Afinal se tal aditivo é abusivo e na minha obra particular eu não aceitaria, porque devo aceitar numa obra pública ou na obra da minha empresa? Se eu não quero ficar em um hotel ou pegar uma táxi durante uma viagem a trabalho se fosse pagar do meu bolso, porque vou pedir diária para isso? Se não imprimo determinado documento em casa para não gastar tinta e papel, porque vou imprimir no meu trabalho? Se não uso o dinheiro do meu salário para pagar ou comprar algo, porque comprar isso com dinheiro público? Se apago a luz ao sair de casa (com isso economizando energia e dinheiro), porque não apagar no trabalho também? E ainda surgem outras perguntas na mesma linha de raciocínio: se não jogo lixo no chão de casa porque jogar no chão da rua? Se não quebro o vidro da minha janela porque quebrar o da janela pública? Se não...


Cabe uma pequena observação. Reparem bem que na primeira pergunta usei "dinheiro do meu salário" e não simplesmente "meu dinheiro", pois o dinheiro público é meu também pois fui eu quem deu para o governo, mas muitos de nós (se não todos) esquecemos disso com freqüência. Parece que o meu dinheiro é apenas aquele que sai do salário que recebo no final do mês, que sai da minha carteira. Mas temos que lembrar que os 15% de IR e o INSS retido na fonte também é meu dinheiro. Assim como o IPVA, ICMS, ISS, IOF, IPI, IPTU, ITBI, e tantos outros impostos e taxas. São todos meu dinheiro. Temos que lembrar dessa questão fundamental para sair desse mar de lama que está o Brasil hoje. Afinal, o meu dinheiro eu não deixo escorregar pelo meio dos meus dedos para o ralo.

19 de mai. de 2011

Manifesto anticorrupção

Falei no post Ponte Hercílio Luz e as obras públicas sobre os desvios de verbas que ocorrem em obras do tipo, e o que nos espera nas obras para a Copa do Mundo e Olimpíadas. Criticava inclusive nós, engenheiros, por ficarmos calados diante de tantos absurdos. Pois parece que o sistema CONFEA/CREA acordou e começou a colocar a boca no trombone. Espero que seja pra valer e que levem essa luta até o fim.
"Preocupa-nos sobremaneira a ausência de projetos técnicos completos, com orçamentos detalhados, o que poderá exigir aditivos e complementações posteriores, com consequente sobrepreço dos empreendimentos. Exemplos como os ocorridos para a realização das obras dos Jogos Panamericanos, em 2007, não podem se repetir."
Leia o manifesto na íntegra.